quarta-feira, 22 de julho de 2020

Concepções tradicionais do sentido da vida (Prof. Luiz G. de Carvalho Neto) - Post 1

A cultura em que estamos inseridos (modernidade) nos dá dois sentidos de vida: a procura por um amor romântico e a busca irrefreável por uma carreira profissional. Essa é a receita moderna para a felicidade. Mas é justamente nesse contexto que, em geral, as pessoas têm tido uma visão bem pessimista da vida. Quer ver? A visão de que o mundo é ruim é a causa para que tantos indivíduos (você deve conhecer alguém assim) que pensam: - não vou ter filhos nesse mundo mau, egoísta e sufocante. Essa mesma visão derrotista é responsável por um número alarmante de vidas angustiadas, com forte sensação de vazio e que morrem por si mesmas.

Mas como se pensava a vida antes do advento da modernidade? Essa é a viagem que começamos nesse primeiro post da série, em que o Professor Luiz Gonzaga aponta três grandes problemas modernos que inexistiam na Idade Média - causadores de enorme sentimento de insegurança.

Problema 1: as pessoas não se conhecem mais. Em comunidades antigas, você sabia quem eram as pessoas desonestas, as boas, os alcoólatras, os violentos, os criminosos. Todos estavam ali mostrando suas qualidades e defeitos - era quase tudo transparente. Saber quem era o seu vizinho, saber se você podia confiar nos clientes que compravam pão na sua padaria ou nas que cuidavam temporariamente dos seus filhos, saber a quem pedir conselhos, tudo isso era motivo de segurança na sociedade. Conviver com estrangeiros torna o mundo atual hesitante, instável e inseguro.

Problema 2: a escolha de uma profissão não era um problema existencial. Geralmente, se seu pai era artesão, padeiro, burocrata, você seguiria os passos dele, adquirindo habilidades para tanto desde tenra idade. Hoje os jovens aos 16 ou 17 anos já precisam saber como gastarão 1/3 de suas vidas, sem qualquer elemento, subsídio ou ajuda. E mais: antes você seguia os passos do seu pai na mesma cidade, com a mesma vizinhança, com as mesmas regras. Atualmente, sua decisão a respeito da profissão pode te levar para longe do seu habitat, impondo-lhe aprender quais regras vigem em seu novo mundo. Resultado: insegurança.

Problema 3: a escolha de um cônjuge. Escolher com quem casar parece (e talvez seja mesmo) maravilhoso. Contudo, haverá sempre uma dúvida horrível em todos nós: "será que eu fiz a escolha certa?" "Essa pessoa parecia ser tão boa, compreensível e respeitosa, agora se tornou um elemento de opressão na minha vida!" Em tempos remotos, a escolha do cônjuge também não tinha apelo existencial (ao menos não tanto como hoje). As famílias combinavam o casamento e normalmente, a partir daí, a construção do amor era de responsabilidade dos noivos. Resultado: insegurança.

Problema 4: a mutabilidade da ciência - o guia absoluto da modernidade sem Deus. O que é mais saudável: a margarina ou a manteira? Ovo faz mal? Faz lockdown ou não faz lockdawn? Resultado: mais insegurança.

Como superar esses problemas? Isso é tema para o próximo post.

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