quinta-feira, 18 de junho de 2020

Bolsonaro e a Estética

Dificilmente há quem negue o fato de que, em geral, reagimos ao belo quase mediante um automatismo, um instinto, um arroubo emocional. Olhamos, ouvimos ou tocamos em algo e isso de imediato nos parece agradável ou desagradável; são nossos sentidos nos enviando dados irrefletidos diretamente para o órgão responsável por gostar ou não gostar de dado objeto. Ver uma cidade suja, ouvir um som estridente ou pegar em algo gosmento - isso nos causa repulsa de súbito.

Não sei se por influência da pesada propaganda anti-bolsonarista, mas penso que o atual Presidente tem traços grotescos na face (a língua presa), nos trejeitos e no modo de expor suas ideias. Cacoetes, gestos desastrados e um apelo infantil a falas irônicas ou a slogans de campanha o tornam "feio". Não gostar dele é quase um automatismo, nada obstante a lisura de caráter que ele parece carregar.

Talvez parte da sua rejeição resida justamente nisso, e não só na frustração dos antigos possuidores do país. Apesar da ojeriza a sujeitinhos engomados na política, cujo disfarce serve para nos desviar da falta de caráter do indivíduo, um ajuste na imagem do Jair não lhe faria mal nenhum.

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